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03/06/2021
O AMOR É A ESSÊNCIA DE TUDO
“A vida é feita de altos e baixos. O verdadeiro amor não está no lamaçal, mas no lugar mais alto, a beijar o Céu!” Cláudio Heckert



Blumenau, 16 de Abril  de 2021

 

Na minha oração da manhã, passou-me à lembrança um canto de Tonico e Tinoco que, quando crianças, gostávamos de cantar:

 

O meu pai já tá veinho, não pode mais trabaiá,

Brincando com seus netinho passa o tempo a recordá.

 

Quando pega na viola prás tristeza dirfarçá,

Canta modas do passado e depois pega a chorá.

 

Ele conta sua vida dos tempo que era sortero

Das proeza que fazia nos tempo de boiadeiro.

 

Sempre foi arrespeitado por este Brasil intero

E cumpriu sempre com a lei os dever dos brasileiro.

 

Todo véio já foi moço, todo moço foi criança

A veíce é o fim da vida onde morre as esperança

 

Mas quem sempre fez o bem a gloria no céu arcança

Seu nome fica na história e seu passado na lembrança.

 

E recordações é que não faltam!  Por exemplo:

- Corram Lucia e Carlinhos, venham ver os coelhinhos...

Eu tentava ler, na cartilha do meu primeiro ano, quando esbarrei-me com esta palavra:

CO – RR – A – M

Não conseguia lê-la!

- Manhê, como é essa palavra: Tem CO, e depois tem dois R, e depois tem A, e depois tem M...

A Mãe estava estendendo roupas no varal a dez metros dalí  e me pediu para repetir a palavra e assim eu fiz:

CO – RR – A – M ,  então Ela respondeu:

- CORRÂM. 

Assim mesmo, como se houvesse um til sobre a, dando o som de CORRÃO.

- Manhê, o que é corrão?

- Lá isso eu não sei! Vais ter que perguntar à Professora!

Dona Amélia nunca havia frequentado uma escola e o pouco que sabia, aprendia com amigos, ou com os próprios filhos. Seus pais eram analfabetos. O meu Pai Antônio, havia frequentado apenas um ano numa escola rural, muito distante de sua casa.

Mamãe gostava de cantar!

Papai gostava de contar histórias de seu tempo de criança e  jovem:

- Uma noite, quando eu voltava da fábrica – ele contava – vi na beira da estrada uma coisa estranha, como um fantasma, balançando os braços parecendo querer me agarrar. Eu saí correndo, mas no outro dia levei o meu facão, e quando o fantasma apareceu, cortei ele em pedacinhos. No outro dia, quando era de dia, levei os meus amigos para ver o que era e mostrar a minha proeza e valentia. Os meus amigos caíram na gargalhada, me caçoando...

- É uma bananeira! O “Tonho” tem medo de bananeira!

Meu pai gostava mais de falar em alemão e italiano, embora não falasse corretamente nenhuma das duas línguas, mas algumas palavras ajudavam a fazer a felicidade de nosso inesquecível ambiente familiar.

Meu Avô Paterno Philliph, (Felipe) veio da Alemanha. Minha Avó Angelina veio da Itália e como as mães ficam mais tempo com os filhos, acabam passando para eles a maior parte da formação e por isso Papai preferia mais falar o italiano.

- É porque no tempo da guerra, foi proibido de falar alemão, por isso não aprendi tudo! 

Com efeito, o meu irmão mais velho, Ivo, esqueceu completamente tudo o que havia aprendido de alemão por medo de represálias. 

Eu nasci em 1944, no final da guerra.

Meu Pai e minha Mãe odiavam falar sobre guerras e nos ensinavam somente os caminhos de paz e de alegria.

E assim fomos criados:

Paz, alegria, amor, muito amor: LAR! FAMILIA!

“Família é a Receita para o Amor!”

Estudei na Escola Primária, um ano no Grupo Escolar Feliciano Pires, no centro de Brusque, quando morávamos no Bairro Santa Teresinha. Rodei neste primeiro ano!

No ano seguinte estudei no Grupo Escolar Municipal em Santa Teresinha, no seu primeiro ano de atividades. Fui então do grupo dos primeiros alunos daquela escola.

- Uma Escola novinha! Perto de casa! Não vou mais precisar faltar as aulas, eu “cantava” feliz!

Eu gostava de cantar e junto com meu irmão mais novo, o “Tonho”  (Antônio Joaquim) principalmente os cantos de Tonico e Tinoco, mas também do Zico e Zeca, do Leôncio e Leonel... Musicas que aprendíamos no Programa Porteira Velha, da Radio Araguaia, conduzido por Tangará e as Irmãs Pera! 

 A Mãe gostava de cantar cantos de Igreja! E muitas vezes cantávamos com ela o Virgem Puríssima:

 

Virgem Puríssima, Mãe do Senhor.

Ó Candidíssima Célica flor.

Mãe Carinhosa os filhos olhai:

Todos ao Pátrio Céu nos guiai .

(Cecilia XXXIV Edição – Número 218)

 

A Mãe gostava de escutar os nossos cantos, e por muitas vezes  juntava sua voz às nossas, para “entoar” – como ela dizia – e assim dava ao canto um suave “Som Celestial”! Ela também gostava de falar sobre Santa Rita de Cássia e ficava horas e horas nos contando a sua história e para as pessoas que lá iam em visitas.

Aprendi dos meus pais, o amor, a paz, o desapego aos bens materiais e os caminhos da Santa Igreja Católica!

Aos Domingos, íamos à Santa Missa das Nove Horas  caminhando em “fila indiana” nós os sete irmãos, tendo à frente o Ivo – o mais velho – depois a Lala, O Lelo, a Ila, Eu, o Tonho, a Teresinha e na retaguarda a Mãe seguida pelo Pai.

Nove pessoas em marcha para a Igreja!

Alguém diria:

- Nove pessoas em marcha para o Céu!

Hoje, quando olho para trás, penso exatamente assim:

- Caminhávamos para o Céu!

Jamais meus pais nos decepcionaram!

Tudo era harmonia, amor e paz!

- O Lar é o Céu na terra!

No final de todos os dias, o terço em Família!

“Família que reza unida, permanece unida” (Padre Peyton)

Eu aprendi isso!

E aprendi o valor do amor, da paz, da castidade... E tudo isso passado também aos meus irmãos, obviamente, por minha Santa Mãe Amélia (Cujo nome verdadeiro é Emília) e por meu pai Antônio, que também era Santo!

Em 1957 ingressei no Seminário onde permaneci até 1960, quando acontecia o Concílio Ecumênico Vaticano II, com o Papa João XXIII.

Como nossos estudos visavam o Sacerdócio, também não recebi nenhum diploma escolar, uma vez que abandonei o seminário.

Em 1961 comecei a trabalhar na Empresa Industrial Garcia – Industria Têxtil – hoje patrimônio da Coteminas.

Em 1965 – no Natal - noivei com uma moça das redondezas.

- Cláudio, - dizia a minha Mãe- Já tens idade e é importante pensar no teu futuro. Olha a Regina aí pertinho! Acho que ela gosta de tí!

Na verdade, noivei por causa de minha mãe, por perceber que ela estava preocupada comigo. 

- Padre é que é solteiro! Mas não ficaste padre!

E neste Natal – 1965 – dia do meu noivado, vi Norma pela primeira vez, trazida a nossa casa por minha irmã Teresinha!

Percebi que meu coração estremeceu!

- Como faço agora? Eu pedi a Regina em casamento ao seu Pai Sr. João! Como posso mudar isso?

E, em 02 de Junho de 1965, em um “piquenique” com meus pais e irmãos, e com Norma que foi trazida por Teresinha, decidi que Norma teria que fazer parte de minha vida!

E naquela tarde fui a casa de Regina falar com seu pai.

Eu havia a pedido em casamento ao Sr. João e por isso, agora teria a obrigação de devolver a ele a sua filha. 

- Por que? Ele perguntou, enquanto Regina chorava.

- Olha Sr. João: eu não iria fazê-la feliz! Sei que é uma boa moça e merece ser feliz, mas ela não seria feliz comigo.

- Encontraste outra?

- Não sei! Sabe, Sr. João, não é por causa de outra, mas meu coração pede o fim deste noivado.

- Cuidaste bem de minha filha: Não abusaste dela?

- Eu a recebi de suas mãos, intacta, e assim a devolvo! Não, Sr. João, não toquei na Regina. Ela é a mesma pessoa.

De fato, jamais tive relação sexual com ela! Ela também aprendera em sua casa que sexo só deve acontecer depois do casamento!

E na Santa Missa daquele Domingo à noite, senti que minha vida, alçada por meu coração, voava e alcançava as alturas.

Amém.

Cláudio Heckert

 

(No Livro Essências eu conto detalhes desta história de amor junto à Norma e de como o Céu ma apresentou!)


 

“A vida é feita de altos e baixos. O verdadeiro amor não está no lamaçal, mas no lugar mais alto, a beijar o Céu!”

Cláudio Heckert


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Cláudio Heckert, Confidente de Nossa Senhora, residente em Porto Belo, SC
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